Caio Ferreira, Leandro Perdigão e Emmanuel Chaves • 30 dez 2025

BESS Off-Grid: Desafios de Proteção na Transição de Grid-Following para Grid-Forming

Este artigo analisa os desafios de proteção e seletividade em sistemas BESS off-grid durante a transição do PCS de grid-following para grid-forming, destacando variações de frequência, sobretensões transitórias e impactos nos critérios de proteção.

Estudos de Casos
BESS Off-Grid: Desafios de Proteção na Transição de Grid-Following para Grid-Forming

Introdução

Os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) têm se consolidado como uma solução técnica robusta para aplicações industriais, comerciais e sistemas off-grid. No entanto, à medida que esses sistemas passam a operar como formadores de rede (grid-forming), surgem novos desafios associados à proteção, seletividade e estabilidade dinâmica do sistema elétrico.

Este artigo apresenta uma análise técnica dos estudos de desconexão de um BESS durante a transição do modo grid-following para grid-forming, com foco nos fenômenos transitórios observados no ponto de acoplamento.

BESS Grid-Following x Grid-Forming

  • Grid-Following:
    O PCS opera sincronizado a uma rede existente, seguindo tensão e frequência impostas pelo sistema elétrico.

  • Grid-Forming:
    O PCS passa a estabelecer referência de tensão e frequência, assumindo comportamento semelhante ao de uma fonte síncrona virtual — essencial em sistemas ilhados (off-grid).

Essa mudança de filosofia impacta diretamente:

  • Frequência;

  • Tensão;

  • Fluxo de potência;

  • Critérios de proteção.

Desafio da transição para o modo grid-forming

Durante o ilhamento, o PCS realiza a transição automática de grid-following para grid-forming. Esse evento envolve:

  • Variações abruptas de frequência (Δf);

  • RoCoF negativo ou oscilatório;

  • Desequilíbrio momentâneo entre geração e carga;

  • Possíveis sobretensões transitórias no barramento AC.

Esses fenômenos precisam ser corretamente avaliados em estudos de proteção.

Objetivos do estudo

O estudo teve como principais objetivos:

  • Analisar a variação de frequência no instante do ilhamento;

  • Avaliar sobretensões transitórias decorrentes de sobrepotência temporária;

  • Identificar tempos críticos de atuação do controle grid-forming;

  • Destacar riscos operativos e requisitos para estudos de proteção e seletividade.

Metodologia e ferramenta de simulação

A simulação considera um BESS com PCS submetido à desconexão da concessionária, operando inicialmente como seguidor de rede e assumindo, após o ilhamento, o modo formador de rede.

O aumento súbito da carga industrial gera:

  • Desequilíbrio de potência;

  • Queda transitória de frequência;

  • Atuação da inércia virtual e dos controles primário e secundário do PCS.

Foram analisados:

  • Frequência;

  • RoCoF;

  • Potência;

  • Tensão no barramento AC.

Análise dos resultados

🔹 Variação de frequência e RoCoF

A desconexão da concessionária resulta em RoCoF negativo, caracterizando um sistema “pesado”, onde a carga se comporta como uma perturbação dominante.

🔹 Atuação dos controles do PCS

O controle primário atua rapidamente, enquanto o controle secundário ajusta a frequência por meio da injeção de potência, estabilizando o sistema após o evento transitório.

🔹 Sobretensão no modo ilhado

Com o BESS assumindo a referência de tensão, observa-se sobretensão transitória no barramento AC, especialmente nos instantes iniciais após o ilhamento.

Principais riscos operativos observados

  • Sobretensão transitória em sistemas industriais sensíveis;

  • Atuação indevida de proteções de tensão e frequência;

  • Dificuldade de coordenação de proteções em sistemas off-grid;

  • Necessidade de revisão de critérios tradicionais de seletividade.

Implicações para estudos de proteção e seletividade

A operação de BESS como grid-forming exige:

  • Estudos dinâmicos detalhados;

  • Avaliação de tempos de resposta do PCS;

  • Revisão dos ajustes de proteção;

  • Análise específica de desequilíbrios de corrente.

Conclusões

O BESS se mostra uma solução técnica viável e robusta, oferecendo flexibilidade operativa e suporte dinâmico de potência. No entanto, a operação em modo grid-forming introduz fenômenos transitórios relevantes, especialmente relacionados a variações de frequência e tensão.

A implementação segura de sistemas off-grid deve ser acompanhada de:

  • Estratégias de controle adequadas;

  • Simulações dinâmicas detalhadas;

  • Validação em campo.

Garantindo, assim, desempenho, segurança e confiabilidade do sistema elétrico.

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